TERRITÓRIO EXPANDIDO

Brasil

CARLA ANDRADE, LUÍS BARREIRO, LUIS DÍAZ DÍAZ, DANIEL DÍAZ TRIGO, EVA DÍEZ, BERTO MACEI, MARTA MOREIRAS, JOSE ROMAY E DAMIÁN UCIEDA.

Museu da Indústria | Fortaleza (CE, Brasil)
No marco da programação do festival Encontros de Agosto
do 11 de Dezembro de 2015 até 30 de Janeiro de 2016
 
Curador: Vítor Nieves
Deseño expositivo: Xosé Lois Vázquez e Vítor Nieves
Apoio: Coelce
Cartaz da exposição.

A exposiçom TERRITÓRIO EXPANDIDO esteve no Museu da Indústria de Fortaleza (Brasil). Explora os conceitos de território e identidade. Som várias séries de diferentes autores e autoras galegas (9, entre eles 4 Premios Galiza de Fotografía Contemporánea) que trabalham com a relaçom que estabelecemos com o território para modificar e humanizar a paisagem. Ademáis as séries dialogam entre elas para deixar constancia e tirar leituras sobre a identidade particular de um País não reconhecido nas leis europeias, com uma lingua diferente á do seu Estado, o que marca profundamente o jeito de estar e reflectir das pessoas que na Galiza habitamos.


O Zigzag da TVG fala da exposición.

O território na Galiza

Partindo de visões particulares bem diferenciadas, desde a curadoría criou-se um discurso unificador que, além de explorar as diferentes prácticas fotográficas na criação fotográfica atual na Galiza, mostra como os e as galegas habitamos a nossa terra e documenta a relação que temos com o território. Fala, portanto, da nossa identidade, que ademáis não é issolada pois é comum a toda uma cultura da galeguidade que exportamos ao mundo e que deu em se chamar noutros pontos do mundo lusofonia ou brasilidade.

Os conceitos de território e identidade estão muito unidos na fotografía, entendendo território como o conceito referido á paisagem intervinda pelo humano, ou á contorna natural humanizada, o que descreve e interpela transversalmente a identidade do povo que o habita. Uma identidade condicionada por um País colonizado, o que marca redicalmente o jeito de estarmos no mundo, o que torna visível em tudo quanto os e as galegas fazemos, também na arte. Galiza é no fundo uma periferia que poderia ter a ver com o status do Ceará no Brasil.

Debaixo do guarda-chuvas do Território expandido podemos encontrar os ensaios que foram Prêmio Galiza de Fotografia Contemporânea nos últimos anos. Assim Daniel Díaz Trigo debulha uma história própria tirada do seu caminho vital que mistura neste documental-ficção com a história familiar e a historia da sua comarca onde a ditadura franquista foi muito dura conseguindo mudar tudo, até as construções e os modos de vida.

Berto Macei trabalha num circo com um particular ponto de vista e coa gramática própria do Film Noir, onde os contrastes, a decadência e as personagens criam uma confusão para achegar-nos um pequeno território que podemos extrapolar com aquele que habitamos na rutina diária.

Jose Romay toma a gramática visual dos New Topographics americanos para fazer um documental que nos expõe um território bem diferente ao que sai nos postais da zona turística na que ele mora, onde a cor cinza do cimento e o verde do mato não têm limites diferenciadores, e o rural e o industrial se confunde banhado por uma luz californiana que edulcora a dureza das suas fotografias.

Eva Díez, (Prêmio Galiza neste 2015) com uma linguagem muito mais evocadora brinca coas imagens criando cenas oníricas e trata de resgatar a memória a través de vivendas das que só quedam ruinas.

Além dos Prêmios Galiza de Fotografia Contemporânea podemos ver como dialogam outros trabalhos como o da Marta Moreiras que documenta non só o território galego senão outros relacionados com a Galiza desde uma perspectiva da identidade. Se calhar onde se mostra claramente como nos influi o entorno é nas imagens de Damián Ucieda que encena sem vergonhas todo aquilo que nos fala Romay nas suas fotos.

Um trabalho mais íntimo e feito no entorno mais próximo, o da sua casa materna no rural profundo é o do Luís Barreiro, o mesmo rural que fotografa Luís Díaz a través dos palcos de música em decadência que nada nos falam das festas que puderam ter.

Podemos acabarmos na carga conceptual que aporta Carla Andrade na obra que vai construíndo no seu vagar errante, que fotografa desde um pensamento filosófico e faz uma constante procura da Galiza nos países que nada têm a ver com o nosso.

Vítor Nieves. Curador. Fortaleza, Dezembro 2015.

Exposição no Museu da Indústria em Fortaleza, Brasil.
Entrevista a Ângela Ferreira e Vítor Nieves, curadores do festival Encontros de Agosto de Fortaleza (Brasil) no programa matinal Tudo por Elas.
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