O Prémio Galiza de Fotografia Contemporânea volta a Lisboa

A Sala de Exposições do IPCI expõe o ensaio fotográfico de Felipe Romero Beltrán, ganhador deste prestigioso galardão.

O certame que cada ano lança a Asociación Outono Fotográfico com o patrocínio do governo da Galiza, a Xunta de Galicia e a vice-presidência da Deputación de Lugo premiou na sua sétima edição, em 2019, «Redución», un trabalho que investiga sobre a violência estrutural sobre os corpos e questiona a realidade que a vivem a diário as pessoas migrantes.

Não é a primeira vez que a exposição dum premiado visita a capital portuguesa, já que em 2017 a exposição de Eva Díez, Renacer, ganhadora da terceira edição do Prémio, ocupou as paredes da Galeria Salgadeiras, no Bairro Alto. Agora, é o recém aberto Intituto de Produção Cultural e Imagem (IPCI), na Avda. Conde Valbom, quem expoes o trabalho ganhador.

A exposição de Romero, inaugurada a começos de Janeiro, foi fechada aos poucos dias por motivo das restrições impostas pela pandemia. Na abetura, Felipe Romero Beltrán, junto ao seu curador e coordinador do Prémio, Vítor Nieves, explicaram o processo criativo e a conceitualização do seu trabalho. No mesmo dia, Xosé Lois Vázquez, director do festival Outono Fotográfico e editor de Difusora, junto com o autor, apresentaram o livro homónimo.

Em Redución, Felipe Romero Beltrán questiona os procedimentos de carga policial sobre pessoas ‘sem documentos’ no território do Estado Espanhol. É composto por vários capítulos com gramáticas diferentes. Num deles, as imagens têm a capacidade de colocar o espectador/a do outro lado. Nelas são representadas as pessoas migrantes ‘sem documentos’ em encenações com referentes na fotografia de moda. A estetização da violência e o facto de substituir o agente policial (braço executor da violência estatal) pelo indivíduo que recebe a violência (migrante ‘não documentado’) cria em nós uma empatia com os corpos violentados, o que nos ajuda a entender também como operam os mecanismos e processos de construção das imagens da hegemonia e o maniqueísmo de pensar que nós somos sempre bons e os maus são sempre os outros.

Num outro capítulo o autor serve-se da linguagem documental para fazer uma recolha dos espaços transitados pelas pessoas migrantes. A condição ilegal do (corpo) imigrante determina se é possível ou não transitar de forma regular por todas as ruas. Os percursos diários dos migrantes são afectados pelo facto de não possuírem documentos de identificação. A polícia realiza periodicamente inspecções em áreas em que, estatisticamente, podem capturar mais pessoas sem documentos, as chamadas Zonas Quentes, e cada vez que se percebe a presença policial nessas áreas, estas pessoas evitam-nas. As cenas criadas por Felipe, vazias de corpos, levam-nos a pensar na mudança de hábitos no trânsito habitual de migrantes.

Felipe também nos mostra a documentação dos manuais da polícia espanhola, apropriando-se deles, alguns pertencentes ao Manual de Defensa Policial del Cuerpo Nacional de Policía, nos quais são estabelecidos protocolos para subjugar os corpos exercendo a força por meio de técnicas de combate, na tentativa de salientar a opressão do poder hegemónico. Além dos textos, também as imagens extraídas destes manuais têm grande potencial, e ajudam a perceber como a violência é normalizada por aqueles que a exercem.

A exposição «Redución» estará no IPCI de Lisboa durante 3 meses, depois seguirá a sua itinerância pelas cidades galegas, alén de algumas localidades espanholas.

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